Me mudei de endereço, fui morar na sua mente
Pensamento estratégico não deve ser confundido com seguir tendências. Entrar na onda pode não dar pé e levar a um belo caldo.
MÍDIAS E PLATAFORMASPOSICIONAMENTO E MERCADO


Virou um tríplex na mente de muita gente: como faço para me descolar da correnteza incessante impulsionada pela enxurrada de conteúdo das redes? É para montar mesmo, se não um suntuoso apartamento, pelo menos um quarto e sala. Mas voltando ao prédio em que reside a metáfora, ele mesmo não existiria sem sustentação, ou seja, sem base.
E é por aí que quero começar (aliás, por onde mais se inicia algo minimamente com sentido?). A base, estrutura de qualquer coisa é o propósito. O porquê sou o que sou. Sem isso, é casa muito engraçada. “Não tinha teto, não tinha nada” como diz a música. E aproveito o clima meio surrealista para inserir na minha metáfora, os barris deslizando pelas cataratas na já célebre cena do desenho do Pica-Pau. Quando penso nos feeds de hoje, me vem isso à mente. Ah, antes que perguntem, somos nós os encapuzados que celebramos os barris.
De triplex, prédios, casas engraçadas e barris flutuantes é feita muita coisa na internet. Aliás, se eu pedir agora para a melhor IA de todos os tempos da última semana (pega aí mais uma referência musical) ela vai mixar tudo isso numa imagem meio sem sentido (ou não), quem sabe o que vem de uma inteligência artificialmente feita para agradar sempre, tanto que ela dificilmente nos decepciona e diz: olha só, eu não sei isso. É... pode ser bom. Eu não vou desperdiçar a água do planeta tentando. Esteja à vontade quem tiver essa curiosidade.
Mas voltando a minha metáfora (já nem sei se é boa, porque afinal, fujo sempre dela) nós somos os encapuzados que celebramos o barril que desce como se fosse uma divindade jogada pelos deuses do Olimpo.
Vamos às Cataratas (Niagara Fools - 1956)
Como numa sequência infinita, esses barris são lançados em nossas mentes e alguns encapuzados os jogam em suas redes e assim, de rede em rede, de feed em feed, e de bobagem em bobagem vamos afundando.
E por que afundamos? Ou nos permitimos afundar? Em minha opinião porque não olhamos para nossa base, nosso propósito e buscamos sempre entrar no hype, surfar na onda, num eterno correr atrás de barris e barris que vem rolando por nossas telas. É viciante eu sei, só mais um vídeo. Esse é bobo, mas minha amiga vai gostar. Com esse vou causar no grupo da família... e assim vamos. Compartilhando ou até mesmo imitando barris na cascata da internet do alto do tríplex alugado em nossa mente.
E estamos nessa tempestade de barris, porque buscamos outra tempestade: a de ideias.
O famoso brainstorm da língua inglesa que adorei quando vi alguém mineiramente chamar de “toró de ideias”. Pois bem, de onde vem a lógica de que nos super expondo a tempestade de barris (ops, ideias) sairemos dela mais espertos? Nem molhados, sairemos. Talvez mais bobos, isso sim.
Todo esse meu texto é um convite: silenciem a mente. Busquem em si a essência criativa para dela brotar a tal ideia que vai originar algo genuíno. Isso me remete aos antigos videogames, aonde no meio de uma corrida de peças sem valor chega um ícone dourado e reluzente, aquele que deve ser coletado. Que vale ponto. Que faz a diferença. Que ganha o jogo. Enfim, parem de focar nos barris do Pica Pau, tirem o capuz da mente e se vejam como fonte e não como mero receptáculo.
Quando nos olhamos de verdade, com sinceridade, lembramos o propósito que nos move. E aí sim, podemos gerar algo que se descole da multidão. O barril dourado na cachoeira do Pica-Pau.
Músicas:
• A Casa, Vinicius de Moraes. Composição: Sergio Bardotti, Vinícius de Moraes.
• A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana, Titãs, Compositores: Joaquim Claudio Correia De Mel Jr. / Sergio De Britto Alvares AIonso.
• 700 Por Hora, Gloria Groove (part. LUDMILLA). Composição: Ludmilla.
Referências citadas no texto
Audiovisual:
• "Vamos às Cataratas" (Niagara Fools) curta-metragem em animação do Pica- Pau lançado em 1956. Produzido pela Walter Lantz Productions e distribuído pela Universal International. Direção: Paul J. Smith; História: Homer Brightman e Michael Maltese; Animação: LaVerne Harding, Ray Abrams e Robert Bentley


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