Me mudei de endereço, fui morar na sua mente

Pensamento estratégico não deve ser confundido com seguir tendências. Entrar na onda pode não dar pé e levar a um belo caldo.

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Jotass

8/18/20264 min ler

Cena de animação com encapuzados amarelos e personagens em barris descendo pela cachoeira
Cena de animação com encapuzados amarelos e personagens em barris descendo pela cachoeira

Virou um tríplex na mente de muita gente: como faço para me descolar da correnteza incessante impulsionada pela enxurrada de conteúdo das redes? É para montar mesmo, se não um suntuoso apartamento, pelo menos um quarto e sala. Mas voltando ao prédio em que reside a metáfora, ele mesmo não existiria sem sustentação, ou seja, sem base.

E é por aí que quero começar (aliás, por onde mais se inicia algo minimamente com sentido?). A base, estrutura de qualquer coisa, é o propósito. O porquê de eu ser o que sou. Sem isso, é casa muito engraçada. “Não tinha teto, não tinha nada”, como diz a música. E aproveito o clima meio surrealista para inserir na minha metáfora, os barris deslizando pelas cataratas na já célebre cena do desenho do Pica-Pau. Quando penso nos feeds de hoje, me vem isso à mente. Ah, antes que perguntem, somos nós, os encapuzados, que celebramos os barris.

De tríplex, prédios, casas engraçadas e barris flutuantes é feita muita coisa na internet. Aliás, se eu pedir agora para a melhor IA de todos os tempos da última semana (pega aí mais uma referência musical), ela vai mixar tudo isso numa imagem meio sem sentido (ou não). Quem sabe o que vem de uma inteligência artificialmente feita para agradar sempre, tanto que ela dificilmente nos decepciona e diz: olha só, eu não sei isso. É... pode ser bom. Eu não vou desperdiçar a água do planeta tentando. Esteja à vontade quem tiver essa curiosidade.

Mas voltando à minha metáfora (já nem sei se é boa, porque afinal, fujo sempre dela) nós somos os encapuzados que celebramos o barril que desce como se fosse uma divindade jogada pelos deuses do Olimpo.

Vamos às Cataratas (Niagara Fools - 1956) - título da versão em língua portuguesa

Crédito: frame de Niagara Fools (1956) / Walter Lantz – Universal Pictures

Como numa sequência infinita, esses barris são lançados em nossas mentes e alguns encapuzados os jogam em suas redes e assim, de rede em rede, de feed em feed, e de bobagem em bobagem vamos afundando.

E por que afundamos? Ou nos permitimos afundar? Em minha opinião, porque não olhamos para nossa base, nosso propósito e buscamos sempre entrar no hype, surfar na onda, num eterno correr atrás de barris e barris que vêm rolando por nossas telas. É viciante, eu sei. Só mais um vídeo. Esse é bobo, mas minha amiga vai gostar. Com esse vou causar no grupo da família... e assim vamos. Compartilhando ou até mesmo imitando barris na cascata da internet do alto do tríplex alugado em nossa mente.

E estamos nessa tempestade de barris, porque buscamos outra tempestade: a de ideias.

O famoso brainstorm da língua inglesa que adorei quando vi alguém mineiramente chamar de “toró de ideias”. Pois bem, de onde vem a lógica de que, nos superexpondo à tempestade de barris (ops, ideias), sairemos dela mais espertos? Nem molhados, sairemos. Talvez mais bobos, isso sim.

Todo esse meu texto é um convite: silenciem a mente. Busquem em si a essência criativa para dela brotar a tal ideia que vai originar algo genuíno. Isso me remete aos antigos videogames, onde no meio de uma corrida de peças sem valor chega um ícone dourado e reluzente, aquele que deve ser coletado. Que vale ponto. Que faz a diferença. Que ganha o jogo. Enfim, parem de focar nos barris do Pica-Pau, tirem o capuz da mente e se vejam como fonte e não como mero receptáculo.

Quando nos olhamos de verdade, com sinceridade, lembramos o propósito que nos move. E aí sim, podemos gerar algo que se descole da multidão. O barril dourado na cachoeira do Pica-Pau.

Músicas:

• A Casa, Vinicius de Moraes. Composição e letra: Vinicius de Moraes.

• A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana, Titãs. Composição: Branco Mello e Sérgio Britto.

• 700 Por Hora, Gloria Groove (part. LUDMILLA). Composição: Ludmilla.

Referências citadas no texto

Audiovisual:

• "Vamos às Cataratas (Niagara Fools), 1956. Produção: Walter Lantz Productions; distribuição: Universal International; direção: Paul J. Smith; história: Dick Kinney e Milt Schaffer.

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