IA, torradas e misto quente

A Inteligência Artificial e seus usos na criação de produtos em áudio e vídeo

LINGUAGEM AUDIOVISUALTECNOLOGIA E INOVAÇÃOINTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Jotass

8/10/20263 min ler

O gaúcho chega apressado numa padaria em São Paulo e pede:

- Por favor uma torrada?

O atendente responde:

-Sim.

Logo após entrega uma fatia de pão tostado, simples. Sem recheio.

O gaúcho na hora pergunta:

-Creio que falta algo... o senhor não esqueceu o recheio?

O atendente prontamente responde:

-Não senhor, torrada é assim: uma fatia de pão aquecido.

O gaúcho não se conforma:

-Não, é um pão (de forma ou cacetinho – também desconhecido para o atendente) recheado de presunto, queijo e com manteiga dos dois lados do pão. E sim, aquecido.

O atendente retruca:

- Ah, o senhor está falando de misto quente! Não de torrada.

O cliente gaúcho:

-Aqui se chama torrada de misto quente? Sério? Qual a lógica?

-Senhor, me perdoe, mas qual a lógica de um sanduíche tão recheado ser chamado de torrada? Retornou, em clara expressão de dúvida o nervoso atendente.

Ficaram os dois em busca da razão (que ambos tinham) afinal em cada código próprio estavam amparados. E a torrada ali esfriando, o cliente com fome e o atendente inerte. O gaúcho diz, tá bom. Vou comendo o pão torrado e me vê esse tal de misto quente.

Enfim, a torrada e o misto quente só servem de exemplo do que seria a falta do prompt correto. Claro que há o cardápio (quantos de nós na pressa diário olhamos na padaria)? É assim na vida. Quantos de nós lê manuais, códigos, termos de uso? No corre diário isso é “perda de tempo” ... para as máquinas, não. Para elas códigos são sagrados. São alimentadas por eles. Suas programações são feitas para mixá-los e devolver imagens (no caso das IA’s generativas) e elas o fazem! Sempre! Podem ter certeza: uma inteligência artificial dificilmente tem a humildade de dizer: não sei ou não entendi. Ela vai lá e “cria”: seja lá o que for. E é assim que as coisas muitas vezes saem do trilho.

Como resolver? No caso da padaria com uma leitura prévia do cardápio, ou uma pergunta complementar do atendente. Na geração de imagens, com o letramento no universo da produção audiovisual. Faz toda a diferença (como no lanche) pedir o que você quer: tipo do pão, recheio, manteiga ou maionese? No audiovisual é assim: qual Plano (além do planejamento tem outro significado no audiovisual)? Enquadramento? Luz? Estética? Cenário? Quantas cenas? Sequencias? Qual o tom narrativo?

Imagem criada pela IA Adobe Firefly com prompt da CQV

Se quem pede o vídeo (seja para IA ou para a produtora audiovisual contratada) não sabe dizer o que quer, dificilmente vai receber o que espera.

Aí que entra o letramento no universo da produção audiovisual, com ele você consegue entender os códigos da produção em áudio e vídeo. Com a tradução de termos, elementos e mecanismos, glossário técnico, componentes da indústria audiovisual e formas de empregar os conteúdos para cada produto/atividade cultural selecionada. Ou seja, como usar todo esse conhecimento, não para virar um profissional da área, mas sim usar vídeos para tracionar negócios.

Não é só perguntar para o atendente, as vezes o cardápio dele está lá, mas se você não consegue entender o que quer dizer, vai ficar decepcionado. Saber o que pedir para não sair com fome da padaria, com um pão torrado quando queria um bem recheado ou entender o que pedir, como criar, ou qual prompt usar pode ser a diferença entre sucesso e fracasso.

Bom apetite!

¹ aqui ficam as notas de rodapé e referências

Notas

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